05.11.08

Dom Casmurro

Enviado em Machado de Assis, Quotes tagged às 9:45 pm por Dóris

Mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos. Verdadeiramente foi o princípio da minha vida; tudo o que sucedera antes foi como o pintar e vestir das pessoas que tinham de entrar em cena, o acender das luzes, o preparo das rabecas, a sinfonia… Agora é que eu ia começar a minha ópera. “A vida é uma ópera”, dizia-me um velho tenor italiano que aqui viveu e morreu… E explicou-me um dia a definição, em tal maneira que me fez crer nela. Talvez valha a pena dá-la; é só um Capítulo.

(Dom Casmurro, capítulo VIII – O tempo)

05.07.08

Memórias póstumas de Brás Cubas

Enviado em Machado de Assis, Quotes tagged às 10:47 pm por Dóris

“Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoam a felicidade terrestre. Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas”.

(Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis)

05.04.08

Álvares de Azevedo

Enviado em Álvares de Azevedo às 3:33 am por Dóris

Fantasia

À noite sonhei contigo…
E o sonho cruel maldigo
Que me deu tanta ventura.
Uma estrelinha que vaga
Em céu de inverno e se apaga
Faz a noite mais escura!

Eu sonhava que sentia
Tua voz que estremecia
Nos meus beijos se afogar!
Que teu rosto descorava
E teu seio palpitava
E eu te via a desmaiar!

Que eu te beijava tremendo,
Que teu rosto enfebrecendo
Desmaiava a palidez!
Tanto amor tua alma enchia
E tanto fogo morria
Dos olhos na languidez!

E depois… dos meus abraços,
Tu caíste, abrindo os braços,
Gélida, dos lábios meus…
Tu parecias dormir,
Mas debalde eu quis ouvir
O alento dos seios teus…

Álvares de Azevedo

Enviado em Álvares de Azevedo tagged às 3:19 am por Dóris

Ai Jesus!

Ai Jesus! não vês que gemo,
Que desmaio de paixão
Pelos teus olhos azuis?
Que empalideço, que tremo,
Que me expira o coração?
Ai Jesus!

Que por um olhar, donzela,
Eu poderia morrer
Dos teus olhos pela luz?
Que morte! que morte bela!
Antes seria viver!
Ai Jesus!

Que por um beijo perdido
Eu de gozo morreria
Em teus níveos seios nus?
Que no oceano dum gemido
Minh’alma se afogaria?
Ai Jesus!

03.26.08

Vladimir Nabokov (Spoiler)

Enviado em Vladimir Nabokov tagged às 2:07 am por Dóris

Neste post falarei sobre outro livro que me deixou completamente encantada.


Lolita, um livro de Vladimir Nabokov, que fala sobre um tema um tanto polêmico: a pedofilia.

É uma narrativa em primeira pessoa, contada por Humbert Humbert. O próprio pedófilo que se masturbava olhando garotinhas brincando na rua, com seus patins e bonecas.

Humbert começa a narrativa já preso, por um assassinato mal explicado. Quase que metade do livro, Humbert fala apenas de sua vida e sua doença. Foi internado por duas vezes num hospício e na segunda vez, Humbert, de tão inteligente, enganava os psiquiatras da clínica da vez. Se fingia de alucinado para ver as expressões mais variadas nos rostos dos pobres médicos.

Logo depois desta segunda internação, Humbert foi se reabilitar nas casas de alguns parentes, numa pequena cidade dos Estados Unidos.

Chegando lá, Humbert descobre que a casa destes parentes acabou por desabar. O pedófilo fica desamparado e pensa em voltar para sua cidade, mas uma boa vizinha se oferece para hospedá-lo, até encontrar um novo lugar para ficar. Chegando lá, ele resolve que não quer ficar nem mais um segundo, mas logo depois de ter tal pensamento viu algo que seria sua obsessão pelo resto de sua vida: Dolores Haze.

No mesmo momento em que a viu Humbert se apaixonou louca e perdidamente por Dolores, (Carinhosamente apelidada de Lô e secretamente de Lolita) uma menina de 12 anos. Uma verdadeira moleca, com suas histerias típicas de pré-adolescente.

Estava decidido: Ficaria na cidade até quando podia! Assistiu divertidamente as discussões entre mãe e filha e tinha espasmos quando a pequena o tocava, por mais inocente que fosse esse toque. Com o passar dos dias e logo das semanas, Lô resolve ter uma daquelas paixões volúveis, tipicamente adolescente, que foi ainda mais incentivada ao perceber que sua mãe, Charlotte Haze, também estava apaixonada pelo professor Humbert.

Depois de mais algumas semanas, Charlotte percebe que sua filha está mais levada que o normal. As brigas constantes estavam a desgastando, até começou a virar um hábito entre as duas. A boa mãe resolve então que sua filha precisa de uma educação melhor e mais firme: manda-a para um acampamento de verão. O acampamento Q. Que foi o começo do fim da vida de três ou até quatro pessoas deste romance.

Lolita foi ardilosa em sua despedida. Beijou na boca sua pequena paixão. Humbert, completamente abobado, corresponde ao beijo apaixonadamente e sem aviso prévio, a garota sai de seu colo e corre para o carro que a estava esperando na porta de casa, que a levaria ao polêmico acampamento.

Os dias com a ausência de sua ninfeta foram agonizantes para Humbert, que estava cada vez mais deprimido e debilitado. E enquanto via seu pretendente sofrer Charlotte vê nessa depressão uma brecha para confessar seu amor numa carta decidida: Corresponda ao meu amor, ou vá embora desta casa. Humbert ficou espantado e infinitamente sem palavras ao terminar de ler a apaixonada carta de sua futura esposa. Não podia ir embora, morreria se vivesse para sempre com a ausência de Dolores Haze. Aceitou convenientemente à proposta de casamento e tentou por inúmeras vezes não fazer o seu serviço de amante febril nas primeiras noites de casamento. Mas depois viu que era em vão: Nada poderia impedir a incansável esposa.

Foram dias até suportáveis para Humbert. Ainda que se sentisse falta de sua Lolita, a ausência não fora algo tão insuportável assim após o casamento. Mas algo tinha que dar errado: Charlotte descobre a doença de seu cônjuge. Imediatamente ela resolve se mudar, com medo.

Humbert estava fora neste dia. Fora comprar algo para comer e ao voltar, sua esposa conta, aos prantos, que já sabia de tudo. O chama de monstro várias vezes, e ele nega tudo com uma veemência escandalosa. Ao entrar na cozinha para preparar uma bebida para si e para a louca mulher com quem dividia a cama, então o telefone toca estridentemente e a voz do outro lado da linha diz que sua esposa estava morta do outro lado da rua. O homem não acredita e até ri da ‘piada’. Mas logo após de desligar o telefone vai até a sala onde estava Charlotte, mas cadê? Humbert se desespera. Vai até a porta de sua casa e vê o amontoado de gente, inclusive o homem que atropelou sua mulher.

Charlotte ia mandar as cartas destinadas aos seus parentes para dizer que estava voltando por causa do seu louco marido. Mas nunca pôde. A brincadeira do destino foi cruel desta vez.

Humbert se recuperou logo da perda de sua mulher. Apenas pensava em sua enteada. No dia seguinte arrumou-se para uma viagem e estava preparado para a jornada de sua vida. Foi buscar sua pequena.

Chegando lá, Humbert vê um certo Charlie e logo percebe que coisa boa aquele menino não era. Deixou pra lá.

Falou com a diretora do acampamento que levaria sua menina embora. A mulher concordou e foi chamar a estudante. Depois de algum tempo de espera conversando com a diretora, descobre que o tal Charlie era filho da dona do lugar.

Finalmente sua Lolita chega. “Linda”. É o que pensa o perfeito pedófilo. Estava cheio de saudades e desconcertado. Não tinha um plano em mente, não sabia como contar que sua mãe morrera. Resolveu então que não diria por enquanto, disse que sua mãe estava doente e apenas isso.

A moça não ligou, queria apenas saber como eles ficavam. Eram amantes afinal? Humbert fingindo-se de desentendido diz que era apenas seu padrasto, mas não agüentou às investidas da pequena diaba ao seu lado e se vê aos beijos com a menina.

A leva para um hotel, ficariam ali apenas por uma noite.

Depois de planos infalíveis (nem tanto) para tocá-la sem que ela percebesse, desistiu indo para sua cama, que era também a dela, por mais uma das brincadeiras bem-humoradas do destino. Na manhã seguinte desperta com um cálido beijo de sua pequena. Desta vez não iriam mais parar ali, iriam até o fim. Nesta noite também descobriu que seu instinto de homem não falhava. Dolores Haze já não era virgem. O mau encarado Charlie tinha tirado a virgindade de sua ninfeta.

No dia seguinte Humbert conta para a menina que sua mãe estava morta e não doente como dissera anteriormente. Nesta noite a menina não dormiu. Chorou até que Humbert chegou ao seu quarto para consolá-la e saciar-se.

Aqui acaba a primeira parte do maravilhoso livro. A partir daqui Humbert narra como foi a viagem com sua enteada. Viajaram por anos até que o homem sente a necessidade de se estabelecer em um só lugar. Alugou uma casa e viveu com sua filha/amante por meses e meses. Até que descobre que sua menina anda mentindo.

A partir daí começa a parte obsessiva do livro. Humbert começa a se comportar extremamente possessivo e até violento. Mas a pequena Lolita não era nada inocente. Andava traindo-o com um homem, até então desconhecido para nós.

Manipula Humbert com maestria e o leva para onde seu amante mais queria. Chegaram à cidade desejada e Dolores Haze foge com o amante.

Humbert se desespera. Procura por anos sua menina e o amante desta, que prometera matar.

Anos mais tarde recebe uma carta de sua Lolita. Estava pedindo ajuda financeira. Assinou a carta com seu nome de casada. Humbert a procura para saber de sua vida e a acha.

Lá, ele descobre que seu amante fugaz a abandonara. Chora, desespera-se e pede para sua maior paixão voltar. Mas ela não queria. Estava casada, feliz e com um filho no ventre. Não iria voltar para ter uma vida sem esperanças.

Humbert ‘empresta’ o dinheiro que a antiga amante pediu e parte a procura de seu maior inimigo.

Finalmente, depois de alguns meses de procura o acha. Lá, Humbert mata com vários tiros o terrível homem que roubou sua ninfeta. Logo depois a polícia o prende e pega a sentença de morte.

Lolita - Vladimir Nabokov

E assim acaba o livro. Aqui acaba a minha resenha de duas horas do romance de Nabokov. Foi realmente cansativo. Espero que gostem, porque eu gostei muito de escrever.

Grande beijo. Até a próxima.

03.18.08

Jane Austen & José de Alencar

Enviado em Jane Austen, José de Alencar tagged às 6:38 pm por Dóris

Agora sim eu vou começar a postar de verdade.

Neste post eu vou falar, prioritariamente, dos livros que já li e que postei no outro blog. Vou dividir este post em dois ou três (um hoje e os outros só Deus sabe). Vou falar de dois livros (Orgulho & Preconceito e O Guarani.) e aí eu vou aumentando gradualmente…

Vamos lá!

Orgulho & preconceito: É um livro da Jane Austen e conta a história de Elizabeth Bennet, uma moça de gênio forte e orgulhosa, e sua relação com o Sr. Darcy. No primeiro encontro dos dois surgiu uma antipatia mútua entre eles. Ele por causa da posição da moça e ela pelo jeito arrogante e reservado do rapaz. Mas ao decorrer do livro Darcy se mostra encantado por Elizabeth e tenta amenizar a tensão que se estabelece quando estão juntos, mas Lizzy não dá o braço a torcer e nem ao menos percebe a afeição do rapaz por ela. E assim a história vai se desenrolando até chegar ao final feliz.

Há outros personagens na história que são pouco menos importantes que Sr. Darcy e Elizabeth. Esses são Sr. Bingley, melhor amigo de Darcy; Jane Bennet, irmã e confidente de Elizabeth; Lydia Bennet, outra irmã de Elizabeth que está sempre trazendo fortes dores de cabeça para seus familiares; e Wikham, o arquiinimigo de Darcy.

Orgulho & preconceito capa - Editora Civilização brasileira

O Guarani: É um livro de José de Alencar e conta a história da família de Cecília e também do índio devoto a ela, Peri. A história que mais chamou a minha atenção foi a da Isabel com o cavalheiro Álvaro. No início ele aparece apaixonado por Cecília e completamente ignorante em relação aos sentimentos de Isabel. Depois de alguns capítulos Isabel é obrigada a confessar seu amor e depois do fato Álvaro começa a cogitar a idéia de se envolver emocionalmente com a moça até que se descobre completamente apaixonado. Mas infelizmente a história acabou tão bonita quanto trágica.

A história principal do livro não é essa, mas é a que mais me atraiu. A história é centralizada no índio Peri, que tem um sentimento de adoração por Cecília. Tudo o que a moça pensava em ter, antes mesmo de pedir já estava em sua mão. Peri abandonou toda a sua família para seguir Ceci (como ele a chamava).

E também como um bom romance, este também tem o seu grande vilão: Loredano, um ex-frade que desistiu da vida clerical para seguir uma ambição sem limites. Este também era apaixonado pela nossa mocinha, Cecília, mas era um amor doente, febril, carnal. Não era nada parecido com o amor de Álvaro ou de Peri.

Os personagens são centralizados em: Cecília, Peri, Isabel, Álvaro, Loredano, Antônio de Mariz e os Aimorés, que ganharam uma parte do livro só para eles.

O Guarani capa - Editora Martin Claret

Bem, eu encerro por aqui… Hoje estou sem muito tempo para escrever… Ia fazer a resenha de mais dois livros, mas estou com pressa.

Espero que tenham gostado. Até mais…

03.16.08

Inauguração

Enviado em Uncategorized às 9:49 pm por Dóris

Finalmente eu criei um blog para falar unicamente para falar sobre meus livros =D

 

Neste blog, eu vou priorizar os livros. Eu já tenho um blog pessoal e algumas pessoas andam reclamando comigo que lá eu só falava dos meus filhos (os livros)…

Nos primeiros posts eu vou copiar e aprofundar o que eu falei dos livros no outro blog, mas eu espero ler muito e poder comentar muito sobre eles aqui.

Ah, sim… eu tenho que dizer que eu posso demorar a postar… Porque eu posso só fazer um post novo depois que eu acabar um livro, mas é claro que eu também posso vir aqui para contar alguma novidade (do livro). Qual livro? O que eu estiver lendo.

Vou encerrando por aqui amanhã eu volto e começo a postar de verdade.

Grande beijo e até mais

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