9 julho, 2009

Autopsicografia

Enviado em Fernando Pessoa (e heterônimos) tagged às 5:28 am por Dóris Bennington

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa, publicado em 27 de novembro de 1930

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